segunda-feira, 28 de janeiro de 2013



São árvores ao fundo, despidas de folhas. Com os seus troncos e ramos nus a cortarem no azul do céu. É uma casa grande abandonada com telhas verticais para os dias de neve. À volta da casa, blocos de cimento e ferros de ferrugem enferrujados. É um quintal abandonado com Amarguinhas. Oh! Amarguinhas, tão amarelas entre o verde vivo. Vivo de espécies alheias desta natureza "daninha" que ninguém sabe o nome. Mas hoje está sol.  Hoje são varandas solarengas que ontem viram chuva e frio,  frio e poerento. É uma ambulância ao longe. Hão-de ser carros a encostarem-se por ouvirem o eco do seu som entre os silêncios do ar. Vibrações que pairam por aí como se voassem. São apenas frequências. É o Sol que é tudo. Indiferente a estes nadas. A esta ambulância que passa, a estes carros, a este senhor de óculos fundo de garrafa que passa na passadeira... provavelmente vai à loja do cidadão. É um piscar de olhos que regista estes momentos como se fossem palaroídes a sairem do cérebro a todo o momento para algum lugar no mundo  onde estão os perdidos e achados. É um piscar de olhos que existe porque pensamos nele. Nem sequer daríamos por ele se não pensássemos nisso. E...era como se nunca tivesse existido. É um olhar para fora, e "por dentro" como se alguém visse de fora. É esta ilusão de que nunca estou sozinha, que posso sempre voltar a encontrar-me a toda a hora, num novo começo, num novo desafio.


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